sexta-feira, 5 de junho de 2009
Palco.
Porém todas as palavras bonitas que saíram quase vomitadas daquele palco me fizeram mudar de idéia, mas eis que era tarde. Eu devia estar na primeira fileira, olhando bem nos seus olhos, em vez de deixá-los vagando pelo espaço lotado sem minha presença. Quis ser orgulhosa e fingir não me importar, mas o arrependimento depois foi maior e doloroso.
Teria algum direito de ir correndo até você, mesmo quando deveria me esconder ainda mais debaixo dessa vergonha? Um abraço, e nada mais. É tudo o que quis fazer.
A ironia é que eu não consigo fingir mágoa, e qualquer frase mais enfeitada eu já me derreto e desculpo.
Então corri.
domingo, 19 de abril de 2009
Instantâneo.
Levantou da cadeira e nem se preocupou em pegar o casaco que nela repousava. Podia conviver com o fato de deixar um pedaço para trás - tanto físico quanto emocional. Deu sinal para qualquer táxi e pediu para ir a qualquer lugar. Qualquer coisa. Podia conviver com o novo e inesperado também.
Só não queria mais o passado, que ficou gritando "Volta!" enquanto ela seguia em frente.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Benefit.
"Quem é?", perguntou. Se assustou quando a voz continuou a lhe responder: "Sou o seu melhor amigo, melhor amigo com benefícios".
"Apareça", ela pediu.
"Ainda não", a voz respondeu.
"O que você quer de mim?"
"Conversar. Conversar até cansarmos, conversar sobre tudo. Temos muito em comum, sabia?"
Ela não respondeu. Achou que estava sonhando, ou então agora era médium e ouvia espíritos. A voz continuou, percebendo seu silêncio:
"Não fique assustada por estar tudo tão confuso. No fundo, você me conhece muito bem".
"Conheço?", ela soltou baixinho.
"Sim. E não se surpreenda se eu te amar por tudo que você é, eu não podia evitar. A culpa é sua."
E então ela lembrou. E do lugar de onde vinha a voz surgiu um sorriso.
Baseado na música "Head over feet", de Alanis Morissette.
terça-feira, 17 de março de 2009
O velho e o novo.
Estava se perdendo, e hoje até chorou. Um misto de dúvidas e desespero, e pensou que podiam vender café com álcool, só para variar. Como se também fosse resolver. Chorou porque viu, chorou porque sentiu novamente. Chorou porque percebeu que já se passaram dois anos, e ela ainda se pergunta o que fazer. Sensação de tempo perdido, de atitudes em vão.
Uma onda crescente de desânimo tomou-lhe conta, e só restou dormir... talvez acordasse melhor. Há sempre uma possibilidade de se reciclar.
segunda-feira, 9 de março de 2009
E daí?
E daí que ele assiste às mesmas séries, torce para o mesmo time e tem tantas outras coisas em comum, que me faz acreditar que talvez um dia esse lance de destino exista mesmo?
Daí que nada disso importa muito, porque na verdade eu deixei de acreditar há muito tempo que só porque uma pessoa combina com a outra, elas talvez fiquem juntas. Daí que o trauma, antigo já, não me permite tirar a prova de que nem sempre a decepção é o resultado final.
Por isso, eu deixo de tentar. Vou levando.
Em 11/03, às 00:41
"Sorte de hoje: Tentar e errar, mas não desistir de tentar"
So ironic, né Alanis?
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Vento que passou.
Venho procurando em muitos rostos e corpos você, o que é um erro. Eu não devia projetar o passado por inteiro no que pode ser o meu futuro. Mas caio sempre na armadilha que eu mesma armei. Tento disfarçar e fingir que não lembro através de sarcasmo, mas não adianta. A ironia não me pertence.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Coisa de poeta.
história de um poeta de rua, que após conquistar uma linda moça, se envolve com ela.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Validade.
Eu aprendi a escrever algumas palavras bonitas que é para sufocar a ânsia de te ver. Na esperança de que no fim, nada faça sentido e não doa tanto, visto que é tão previsível. Tarde demais já não cola mais, a verdade é curta e grossa: nada dura para sempre.
Nada que eu fizer será suficiente.
*Baseado no filme O Curioso Caso de Benjamin Button.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Moving on.
Eu olhei para o relógio do computador rapidamente, enquanto meus dedos ainda cuspiam as palavras que, no fundo, eu nem queria dizer. Ouvi o barulho do último ônibus parando logo em frente, e corri para a janela, pensando que talvez eu não fosse louca por esperar.
Mas eu era. Eu era louca de não entender que as coisas não são resolvidas assim, e é claro que eu não veria você descer daquele ônibus e entrar por aquele portão. Não sei onde estava com a cabeça, mas é que me acostumei a ser perdida, e não a perder. Me acostumei a ouvir os pedidos de desculpas, e a perdoar os vacilos alheios. Mas agora, eu sou a culpada. E simplesmente não sei lidar com isso.
Talvez seja melhor apertar delete, deitar e dormir, mesmo que as pálpebras insistam em não fechar.
sábado, 9 de agosto de 2008
Memories.
Os cd's espalhados no chão talvez sejam a lembrança mais viva. Alguns recortes de jornal meio envelhecidos se juntam a um Contos dos Irmãos Grimm marcado na página 57.
Essa noite eu sonhei com você, e não pude evitar. Os dias ensolarados em que deitávamos no chão gelado da sala e colocávamos qualquer cd daqueles espalhados para tocar, eu tinha que lembrar, e sem querer eu sonhei.
Desculpa, eu prometi mudar tudo e te deixar para trás e talvez não chorar por mais de uma noite. Mas eu não consigo não pensar no seu olhar, e basta eu pensar nele que tudo vem à tona, e já não posso me desfazer das lembranças.
Dói.
(Parênteses só para repassar um selinho que ganhei do Diego!)
Ele vai para o Damn, do Caixa de Vinis, ótimo blog sobre música :)
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Foi em maio.
Estávamos deitados no tapete fofo cor de creme da sala dele. Passava algum programa na MTV e ele assistia sorrindo. Eu lia uma Rolling Stone de uns meses atrás com a Rita Lee na capa.
– Nossa, olha essa capa que linda! Jamais vou conseguir fazer uma assim, diagramação é muito difícil... – comentei.
Ele virou pra mim, apoiando a cabeça na mão, e soltou:
– Eu te amo.
– A Rita Lee... quê?!
– Eu te amo.
Ele disse aquilo como se fosse a coisa mais natural do mundo, e continuou me olhando esperando que eu respondesse alguma coisa.
– Namora comigo?
– Mas...
– Eu amo você, não já falei? Acho que podemos assumir algo sério agora.
Fiquei sem palavras. Não podia ser totalmente sincera. Tentei achar outra saída, enquanto ele ainda me olhava com aqueles olhinhos puxados e verdes.
– Eu não tenho peito.
– Claro que tem.
– Mas eles são pequenos, assim como minha bunda.
– Ainda te amo.
– Sou grossa. Bruta. Insensível.
– Eu sei.
– Eu arroto quando bebo coca-cola.
– Nós sempre fizemos isso juntos.
– Eu fico bêbada facilmente.
– Sempre te levo para casa, não é?
Pára tudo. Não existe ninguém tão perfeito quanto ele. Qual o problema afinal?
Ele acariciou meu cabelo com a mão livre e me deu um beijo. O afastei, e notei que ele começou a perceber o que estava errado.
– Já falei que te amo, assim mesmo do jeito que você é. Eu não mudaria nada. Eu amo você e ponto.
– Mas eu não acredito no amor.
Levantei e saí.
domingo, 20 de julho de 2008
02:12h
Esse pensamento a fez vomitar. Tirou do bolso uma nota de cinco reais. Pensou. Parou no pub mais próximo, mas só pediu um café.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Em terceira pessoa.
Ela estava lá tentando fazer um resumo de Teorias da Comunicação. Precisava de trinta linhas e só tinha seis. Mas não conseguia parar de pensar nos últimos três dias. Ela não conseguia parar de se perguntar porque em um dia tudo pode ser tão feliz, tão legal, e no outro sentir o peito esmagado, e aquela agonia que não passa ao longo das horas.
Ela queria saber o que era pior: o ex-namorado sentar na mesa ao lado no Restaurante Universitário, no dia que fariam 9 ou 10 meses - ela já não se lembra; ou descobrir que o cara que gosta há tanto tempo é realmente um idiota; ou romper com alguém muito legal por causa desse cara; ou descobrir que seu pai não anda tomando todos os remédios que devia pro coração.
Depois de um dia ruim, corrido, algumas lágrimas, ela resolveu que não valia à pena se preocupar com essas coisas, apenas com seu pai.
Aí justamente a pessoa que não devia lhe lembrou que era dia dos namorados, e mesmo ela, tão anti-romântica, desabou novamente, e continuou se fazendo as mesmas perguntas de sempre.
13/06
Ela tomou uma decisão.
Porque o que importa é viver, e não esperar.
*Baseado em fatos reais.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Teria sido diferente.
Eu ainda não entendi direito porque você não disse "não vá". Diz que quer minha felicidade, mas será que estou indo em direção à ela mesmo? Será que não teria que ser com você?
Eu teria ficado. Teria mudado aquela sua expressão no olhar. Mas você nem tentou. Foi tão fácil desistir. Então talvez não fosse você. Mesmo.
Realmente, não há o que explicar. Tudo o que havia era o nada, e achávamos que o nada era muita coisa, e que as mãos dadas significavam muito. Desculpe se o meu passado me persegue, mas você soltou minha mão sem nenhum esforço para segurá-la. Então eu vou seguir em frente.
Ou para trás.
Não sei.
sábado, 22 de março de 2008
De cervejas e brigadeiro.¹
É do que fomos feitos ontem. Eu meio que, assim, vesti minha calça desbotada e fui para a casa dele. A camiseta era uma velha que uso para dormir. O cabelo estava preso de qualquer maneira. Toquei a campainha, e ele atendeu com aquele sorriso e disse: Você está linda. Só ele mesmo para enxergar alguma beleza naquela cena.
Vamos fazer brigadeiro?, perguntei. Ele sorriu mais, e fomos para a cozinha. Abrimos a geladeira e pegamos duas cervejas. Não precisei explicar o porquê de eu estar ali, nem nada. Ficou subentendido.
Eu o vi de novo, falei, depois de duas cervejas e o brigadeiro já pronto. Ele passa por mim como se eu fosse só mais uma parede...
Ele me abraçou. Eu te amo, disse em meu ouvido. Ligou o som e colocou um CD do Guns n'Roses. Lembra? Eu respondi que sim com a cabeça. Terminei a sexta cerveja, já bêbada. Comi mais um tanto de brigadeiro, subi em cima da cama e comecei a cantar.
And you a very sexy girl, that's very hard to please!
You can taste the bright lights but you won't get them for free!
In the jungle.. welcome to the jungle feel my, my, my, my serpentiiine
I, I wanna hear you screaaam!!
Caí, morrendo de rir. Ele deitou do meu lado, rindo também. I wanna watch you bleeeeed, eu terminei a música gritando ao máximo, com os braços erguidos. Logo encostei a cabeça em seu ombro e adormeci.
¹ É totalmente ficção.
sábado, 29 de dezembro de 2007
Um pouco de ficção
Eles se gostavam havia meses. Mas ninguém sabia dizer, explicar, mostrar um argumento altamente convincente de porquê ainda não estavam juntos. Simplesmente não ficaram juntos. E se distanciaram cada vez mais e mais... No começo, ela se recusou a esquecer, até que um dia ele foi bem claro que não iria mais ficar com ela. Então, foi abstraindo de pouco em pouco, até enxergar o leque de opções que possuía, e que uma delas valeria à pena um dia. Ele, de algum modo, percebeu que ela finalmente o tinha tirado da cabeça, e por egoísmo, ou por vontade de aumentar seu ego, ou até mesmo porque ainda gostava dela, resolveu reaparecer. Deixava mensagens que ela não conseguia entender. Se era para ela esquecer, porque ele deixava os recados? Resolveu não se importar muito com isso e não esperar nada demais. Seguiu sua vida.
Ambos seguiram caminhos que, certa vez, acabaram por se cruzar novamente. Estavam totalmente distantes, se falavam às vezes, conversa de colegas. Ela ainda sentia seu coração bater mais forte ao lembrar dele, mas pensava consigo mesma que aquilo era passageiro e não significava nada. Ele? Não se sabe. Mas um dia, foram os dois num mesmo show. Não sabiam que se encontrariam por lá. Ela foi acompanhada de um amigo. Ele também.
Every breath you take, every move you make, every bond you break, every step you take.. I'll be watching you.
The Police começou a tocar essa música exatamente quando eles perceberam a presença um do outro naquela multidão. Coincidência?
Every single day, every word you say, every game you play, every night you stay.. I'll be watching you.
Quando a viu acompanhada de outro, ele sentiu algo estranho dentro de si. Teria a perdido de verdade? Percebeu que se não fosse falar com ela naquele momento, perderia para sempre a chance de consertar seu erro. Ela, mesmo tentando negar para si mesma, esperava que ele fizesse exatamente aquilo.
Oh can't you see?? You belong to me! My poor heart aches, with every step you take!
Sting cantou esses versos como se fossem para eles. Então, ele se aproximou e puxou qualquer assunto para quebrar o gelo. Ela sorriu levemente. Sempre sorria quando estava perto dele, era inevitável. Ele se aproximou mais. Não conseguia controlar.
Every move you make, every vow you break, every smile you fake, every claim you stake.. I'll be watching you.
– Eu ainda gosto de você – foi o que ele disse em seu ouvido.
Ela queria ter ouvido isso há muito, muito tempo. Porque só agora?
Since you've gone I've been lost without a trace! I dream at night I can only see your face! I look around but it's you I can't replace! I feel so cold and I long for your embrace. I keep crying baby, baby, please!!!!
– Você não acha que é tarde demais para isso não? – ela retrucou. Mas ainda deixava ele se aproximar cada vez mais.
– Talvez seja tarde – ele falou, olhando no fundo de seus olhos – mas não posso deixar de tentar.
Oh can't you see??? You belong to me!! My poor heart aches, with every step you take!
Ele a beijou, e ela não se opôs. Era tão bom ter aquilo novamente... mesmo que não fosse durar mais que uma noite.
Every move you make, every vow you break, every smile you fake, every claim you stake.. I'll be watching you...
Ela achava que ele a envolvia em seus braços como ninguém soubera fazer antes. Era o melhor beijo que já tinha dado também. Ele podia ser sempre o melhor na vida dela, ela pensou, era só ele querer.
Every move you make... every step you take... I'll be watching you...
Não se sabe o que aconteceu depois, nem nos dias seguintes. Mas naquela noite, eles ficaram juntos mais uma vez.
I'll be watching you...




