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sexta-feira, 27 de março de 2009

Benefit.

O sol e a chuva estavam juntos naquela manhã, e de sua janela ela via o arco-íris tímido no canto do céu. "Eu gosto de clichês", pensou em voz alta. "Eu sei e não ligo", uma outra voz respondeu. Olhou em volta e não viu ninguém.

"Quem é?", perguntou. Se assustou quando a voz continuou a lhe responder: "Sou o seu melhor amigo, melhor amigo com benefícios".

"Apareça", ela pediu.

"Ainda não", a voz respondeu.

"O que você quer de mim?"

"Conversar. Conversar até cansarmos, conversar sobre tudo. Temos muito em comum, sabia?"

Ela não respondeu. Achou que estava sonhando, ou então agora era médium e ouvia espíritos. A voz continuou, percebendo seu silêncio:

"Não fique assustada por estar tudo tão confuso. No fundo, você me conhece muito bem".

"Conheço?", ela soltou baixinho.

"Sim. E não se surpreenda se eu te amar por tudo que você é, eu não podia evitar. A culpa é sua."

E então ela lembrou. E do lugar de onde vinha a voz surgiu um sorriso.



Baseado na música "Head over feet", de Alanis Morissette.

segunda-feira, 9 de março de 2009

E daí?

Cena de De repente 30

E daí que ele tem tudo a ver comigo? E daí que ele ouve as mesmas músicas, gosta das mesmas bandas e é tão inteligente e engraçado que tenho vontade de conversar o tempo inteiro?

E daí que ele assiste às mesmas séries, torce para o mesmo time e tem tantas outras coisas em comum, que me faz acreditar que talvez um dia esse lance de destino exista mesmo?

Daí que nada disso importa muito, porque na verdade eu deixei de acreditar há muito tempo que só porque uma pessoa combina com a outra, elas talvez fiquem juntas. Daí que o trauma, antigo já, não me permite tirar a prova de que nem sempre a decepção é o resultado final.

Por isso, eu deixo de tentar. Vou levando.


Em 11/03, às 00:41

"Sorte de hoje: Tentar e errar, mas não desistir de tentar"

So ironic, né Alanis?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

My best friend is here!

Não, não é minha melhor amiga real - que por acaso está nos Estados Unidos. É a minha melhor amiga que encanta meus ouvidos e me dá os melhores conselhos quando não há ninguém para dá-los. Estou falando de Alanis Morissette.

Alanis: a melhor.

Alanis está no Brasil para uma série de shows, incluindo algumas cidades do Nordeste, Festival de Verão de Salvador, Belo Horizonte e até Manaus. MENOS Espírito Santo. É claro que eu bem que podia ir no show de Belo Horizonte, que nem é tão longe... podia né. Claro que estou deprimida, inconformada e tudo o mais. Alanis está tão próxima... e eu nem irei vê-la. Nem gritarei seu nome na platéia, cantarei todas as suas músicas ou chorarei de emoção vendo sua performance digna de minhas lágrimas.

Alanis: eu pegava.

Alanis, companheira de fossas, de felicidades, de dias de limpeza, de horas de estudo, de inspiração. Autora das melhore músicas ever.

O jeito é me contentar com alguma coisa que passe na TV.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Constatação [2].

Sabe, a vida é realmente uma caixinha de surpresas, ou então eu mesma sou. Porque às vezes, quando se tem mais certeza de uma coisa, é que desistimos dela. E foi o que fiz.
Graças a um buddypoke.

Acredite se quiser.

Ps.: Alanis estava errada.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

I'm wrong and I'm sorry, baby.

Sabe, sentada aqui, fiquei pensando enquanto Alanis toca. Ele não está o mesmo. Não sei o porquê. Minto. Talvez eu saiba, e me recuso a aceitar. Me sinto egoísta. Acho que sou egoísta. Ele me disse que isso se chama confusa, mas eu acho melhor ser sincera comigo mesma e assumir meu egoísmo.

Afinal, tudo o que a gente quer um dia é que um cara muito foda chegue para você e diga ei, você é especial e eu gosto de você. Que te aceite com seus milhares de defeitos, que ache graça quando você está estressada, que se preocupe com seus mínimos problemas, que cuide de você quando está bêbada, e que gosta de passar o tempo do seu lado. E quando esse cara aparece, ou melhor, quando você o percebe, o que faz? O que eu fiz? Me acostumei com ele, mas não consegui gostar dele.

Não é fácil gostar de alguém por querer. Isso acontece quando menos se espera. Se eu pudesse olhar aqueles olhos verdes e sentir meu coração disparar como acontece com o veterano, eu o faria. Mas eu não posso. Não consigo. E sou egoísta, pois vejo que ele está indo para longe de mim, e eu não queria que isso acontecesse.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Isn't it ironic... don't you think?

Acordei e liguei o computador, como de costume. Coloquei Alanis Morissette para tocar enquanto eu me arrumava. Abri o guarda-roupa, peguei a velha camiseta do Metallica que ele gosta e uma calça surrada. Alanis cantava sentimentos diretamente para mim. Meu coração batia rápido, muito rápido. Era a saudade. Essa saudade, que nunca vai embora, nunca some, nunca desaparece, nunca me deixa em paz. Enquanto prendia o cabelo de qualquer forma, pensava em coisas para lhe dizer. O que eu faria primeiro? Choraria, sorriria, o abraçaria? Diria o quanto ele fazia falta, o quanto ele é importante pra mim, o quanto eu o amo? Ou simplesmente olharia em seus olhos e ele já saberia de tudo isso? Percebi que meu cabelo ficou arrumado demais, desmancho o pequeno rabo de cavalo e refaço. Coloquei o allstar preto, seu preferido. Eu estava pronta. Alanis calou-se.

Segui para o aeroporto, ainda tentando imaginar o que fazer quando o visse. Sabe quando tentamos treinar certas situações? Era mais ou menos assim. Mesmo que eu me sentisse tão à vontade em sua companhia, já não o via há quase um ano. Eu não sabia mais como ele estava, seus gostos, sua aparência. As conversas no MSN e a troca de cartas ficaram cada vez menos freqüentes nos últimos meses. A última que mandei tinha sido em agosto, contando de M. Bom, desci no aeroporto, sentei-me e esperei. Esperei e esperei. E ele surgiu. Lindo como sempre, com seus olhos verdes e puxados, e aquele sorriso de "ainda bem que você está aqui". Seu cabelo bagunçado, que baguncei ainda mais depois. E aquele abraço... é incrível como eu me encaixo perfeitamente em seus braços, parece que eles foram feitos só para me abraçar mesmo. É, Londres ainda não havia mudado meu Léo.

Foram três dias. Três diazinhos que pareceram uma semana. Mas ainda assim, tempo insuficiente para dizer tanto e fazer tanto. Pizzas, pipoca, filmes. Conversas, cosquinhas, implicâncias. Mostro meus últimos poemas, ele lê com toda a atenção do mundo. Conto-lhe sobre tudo o que tem acontecido comigo. Ele me abraça quando falo de M e choro. Fica sério quando falo do veterano. Me dá conselhos. Me faz rir. Lembramos de coisas do passado ainda recente. Nos perguntamos porque não deu certo. É, ele ia pra Londres. Nos esquecemos disso por alguns momentos. Digo o quanto fiquei com raiva daquela vez em que cancelei tudo para passar o ano novo numa rave com ele, e ele não quis ir mais. Ele pede desculpas. Pede desculpas por ter jogado fora o que ele mesmo esperou tanto tempo para conseguir. Eu lhe respondo que isso não importa mais agora. Somos pessoas diferentes. Temos vidas diferentes. Em países diferentes. Mas ele continua sendo aquele amigo para todas as horas. O cara que me faria mudar de idéia em relação à casamento e filhos. O cara que me faria querer namorar de novo depois da decepção com M. Eu acho que vou demorar algum tempo para querer tudo isso de novo, até alguém ter força de vontade o suficiente para me fazer mudar de idéia. Mas ele, ah, ele mudaria isso em minutos.

Mas esse cara entrou no avião novamente. E voltou para muito, muito longe de mim. Não sei quando ele volta, nem se volta. Retorno à realidade, aos longos pensamentos do dia-a-dia, às escolhas nem sempre corretas, ao ritmo louco da faculdade. À mesma frase de sempre: "o que eu faço agora?".