O primeiro porre a gente nunca esquece.
Abril/2006. Eu nunca tinha feito isso antes. Ainda não sei o que me deu na cabeça, mas fiz. Era uma sexta-feira, algumas colegas com quem não andava fazia tempos me chamaram pra ir num barzinho. Eu deveria estar estudando pra prova final de física, Cefetes finalmente estava acabando... Ou deveria já estar adiantando matéria do pré-vestibular, que eu iria recomeçar em duas semanas. Ou então estar dando atenção para meu namorado, que eu quase não veria naquele ano. Mas eu saí para beber.
Lembro que naquela sexta-feira eu tive um péssimo dia. Eu sabia que ia reprovar em física, mesmo estudando para a final. O 3º ano estava acabando com um atraso de cinco meses, e isso acabou atrasando também meus estudos para o vestibular, que eu já ia tentar pela 2ª vez. Eu via todos aqueles amigos já na Ufes, e só conseguia me imaginar o ser mais burro do planeta, prestes a freqüentar o Darwin mais uma vez... Meu pai enchia a paciência, me mandando estudar, falando pra eu tentar Direito. Ah, eu não sabia se era capaz de passar em Jornalismo, quanto mais em Direito. Minha mãe ficava brigando comigo porque eu provavelmente faria supletivo de uma matéria (maldita física). E ainda tinha a pressão de "esse ano você tem que se dedicar aos estudos integralmente." Meu Deus, eu ia morrer. Eu não tinha ânimo. E tinha um namoro de quase dois anos nas mãos.
Então, eu fui pro barzinho. Uma rodada de ICE por favor. Algumas cervejas, por favor. Gente, meu pai vai me matar. Nunca bebi antes. Ah, que isso. Mais uma cerveja, a última!
Chego em casa e levo o maior esporro de toda a minha vida. Mas não presto atenção em nenhuma palavra. Nenhuma. Vomito, tomo um banho, vou para o MSN. Converso totalmente bêbada com meu namorado. Ele fica preocupado. Eu não lembro as coisas que eu disse naquela sexta-feira. Mas o sábado eu nunca esqueci. Seriam dois anos em poucos dias, e eu acabei com aquilo. Eu terminei algo perfeito, por causa de estupidez. Total estupidez.
Porque eu estou contando isso aqui? Às vezes acho que sem querer passo uma imagem de coitada. Não sei, mas não sou nenhuma coitada. E meu passado confirma isso totalmente. Já magoei, fiz besteira, e Deus sabe como me arrependo. Eu tinha o cara da minha vida nas mãos e o deixei ir. Por isso penso que talvez eu mereça o que tem acontecido comigo. Sofrer um pouco, pra saber como é que é.
